A campanha criada pela DM9DDB para a Cia Athletica não me agradou. É com certeza uma proposta ousada. Mas é preciso saber até que ponto a ousadia contribui para atingir o objetivo. Aproveitou-se de um acontecimento na cidade de São Paulo, que foi a proibição de veiculação de campanhas em mídia-exterior, para relacionar este assunto à obesidade e ridicularizar classe obesa.
Utilizar-se do humor pode ser uma boa tática, mas ridicularizar pessoas de um determinado perfil pode gerar uma imagem negativa da empresa. Ainda mais, no caso desta campanha. A Cia Athletica, enquanto academia, deveria estimular a prática do exercício físico, e, no caso da obesidade, por exemplo, não apenas pela estética, mas principalmente pela saúde. Refiro-me, ainda, ao post anterior sobre sustentabilidade, no qual cito e comento o livro “Propaganda Responsável: É o que todo anunciante deve fazer”. A autora Ana Cláudia Marques Govatto se refere a publicidade não apenas como um instrumento de venda, mas como uma forma de informar e conscientizar a população. Primeiro, porque a publicidade pode ser capaz de contribuir para uma melhor formação de todos os cidadãos. E, segundo, por que demonstrar-se preocupado em informar e conscientizar pode melhorar a imagem de qualquer marca.
Não apenas pela falta de humor, pela situação forçada e pela apelação contida nesta campanha. Mas também pela falta de preocupação em trabalhar um público em potencial. Isso, porque se existe uma parcela da sociedade que necessita comparecer a academia, esta é a parcela obesa. Tentar convencê-los ridicularizando-os pode não ser a melhor forma.
Discordo dos argumentos que li no blog 30 segundos. O autor do texto defende a ousadia na publicidade e argumenta que a ridicularização da parcela obesa da sociedade é algo corriqueiro e bem aceito quando feita em programas humorísticos. E complementa que a ação foi bem sucedida por ter gerado polêmica e estar sendo discutida já há algumas semanas, principalmente no meio publicitário.
Concordo que a ousadia é sempre bem vinda, mas deve-se saber que publicidade e comunicação não é brincadeira e muito menos programa humorístico. Deve-se pensar que informar é importante, conscientizar é importante e, principalmente, gerar nos consumidores impacto necessário para que consumam determinado serviço. E, ainda, deve-se medir o impacto da campanha pela reação do público-alvo e pelo aumento da demanda, e não pelo impacto gerado e pela polêmica criada no meio publicitário.
Gostei muito de seu texto, Tiago, mas o foco do que escrevi é a experimentação na propaganda e não aspectos subjetivos sobre o que é ou não ofensivo.
É claro que ofensas veladas e desrespeito como os que acontecem contra as minorias em muitas propagandas se encaixam no que você menciona, mas no caso desta campanha, o assunto foi conduzido com um tipo de humor que é muito ácido e sutil.
Quase todas as pessoas a quem mostrei o vídeo, inclusive as que estão acima do peso, gostaram do que viram e somente as que estudam a publicidade levantaram a questão da ridicularização de uma condição física. Muito mais ofensivas são as campanhas que simplesmente fingem que estas pessoas não existem. E é neste ponto que entra o fator ousadia que mencionei. Mesmo com a campanha fora do ar (o que foi feito espontênea e propositadamente), o comentário em torno dela continua grande, o que torna inegável o sucesso da peça.
Obrigado por incluir o 30 Segundos na discussão e fique à vontade para me convidar para quaisquer outras.
Abraço!
Matheus
30″
É uma campanha ofensiva e de péssimo gosto.
Publicidade deve ser feita sempre pela sedução e pela valorização das qualidades do produto ou serviço; e não pelo preconceito ou pela exposição ao ridículo de terceiros.
É tiago, concordo.
Ousadia tem limites. E os argumentos a favor que encontrei no link adicionado ao seu post são péssimos. Essa ridicularização do obeso causa muito mais revolta nessas pessoas do que vontade de melhorar a saúde praticando esportes ou fazendo dietas balanceadas. Então não sei se seria essa a linha que uma academia deveria seguir quando se trata de seu comercial. Me lembra a publicidade de uma outra academia (não me lembro o nome) que colocou em um outdoor a seguinte frase: “Nesse verão vc vai querer ser sereia ou baleia??” ( … )
Anti-ética. No código de ética de Publicidade e Propaganda fala claramente que nenhum anúncio deve favorecer ou estimular qualquer tipo de ofensa ou discriminação. Só isso já basta né.
[...] Leia este post: É preciso saber ser ousado [...]