Onde você quer chegar pensando assim?

3 06 2008

Vi no ADivertido (um blog de comunicação muito respeitado, que muito admiro, visito diariamente e tenho como fonte de pesquisa) um post que me fez pensar muito sobre o futuro da comunicação no nosso país.

Neste post, questionava-se a eficiência de se promover ações de sustentabilidade e foi proposto o seguinte quastionamento: “sustentabilidade e responsabilidade ambiental vendem? Ou só agregam valor a marca? Vale a pena investir nisso?

Agradeço ao blog ADivertido pelo levantamento de uma questão tão relevante à comunicação e à sociedade contemporânea. Abaixo está o meu posicionamento:

Primeiro, devo perguntar: O objetivo de agir de forma sustentável e responsável é APENAS vender? Porque, se for, é melhor que nem se adote posturas como esta. Isso, porque estaria sendo feita uma publicidade enganosa, na qual se mostra a preocupação com o futuro da sociedade quando, na verdade, isso não ocorre. E só para lembrar, não sei se é do interesse de alguém (deveria ser), mas propaganda enganosa é crime e está previsto, inclusive, no código de ética da categoria.

Mas, mesmo que o objetivo seja apenas vender, respondo: FAZ VENDER SIM! (não entrarei em detalhes, mas basta pesquisar um pouco mais a fundo para chegar a esta conclusão, sugiro que leiam este post que esclarece algumas coisas sobre o assunto.) E, complemetando e respondendo a segunda pergunta, agregar valor à marca faz vender.

Deve-se compreender que as ações de sustentabilidade “vendem” (principalmente a longo prazo) porque as pessoas (consumidores) estão preocupadas com o futuro da sociedade e querem chegar a algum lugar, onde não se pensem no lucro tão somente. Assim, investem em instituições preocupadas com o futuro.

Não quero que pensem que seja algo irreal dizer que ações responsáveis tem outros objetivos além dos lucros. Pode até ser que a grande maioria dos executivos e muitos comunicadores não estejam nem um pouco preocupados com o futuro da sociedade. Mas o que quero deixar bem claro é que eu não penso assim. E, mais, imagino que, além do compromisso com o lucro e com as empresas, os profissionais devem ter compromisso com a sociedade, sobretudo os que atuam no setor de comunicação. E não sou só eu que penso assim. Li na revista DOM (edição de Março a Junho de 2007), da Fundação Dom Cabral, o depoimento do Fábio Barbosa, presidente do Banco Real ABN Amro, no qual ele diz: “Também considero que a responsabilidade do executivo vai além das fronteiras da empresa, incluindo seu papel na família e na comunidade. Acredito que não vamos conseguir ter “better managers” se não tivermos “better men”, incluindo aí as mulheres.”

Podem dizer que é jogada de marketing, mas prefiro acreditar que não.

Tenho clara consciência de que além do objetivo de vender, tem-se a intenção de contribuir com a construção de um futuro melhor. Se não tem, deveria ter! Sei que é possível visar os lucros e agir de forma sustentável. E posso citar outra pessoa, esta bem sucedida no meio da comunicação e do marketing, que pensa assim: é a Ana Cláudia Marques, consultura de comunicação e marketing e autora do livro “Propaganda Responsável: É o que todo anunciante deve fazer”.

Estou fazendo este post para que pensemos na forma como a comunicação é feita e vista, inclusive por nós comunicadores. Será que o objetivo é APENAS vender? Acredito que devemos rever os nossos conceitos e entender que a comunicação pode mudar muita coisa errada, e se não for possível mudar, podemos, pelo menos, não dar continuidade a ações que desrespeitam a sociedade.

A comunicação deve ir além do lucro. Deve-se compreender o real papel desta ferramenta, além de perceber o compromisso que se deve ter com a sociedade.

Pode parecer que o meu posicionamento seja um pouco inocente e talvez utópico.

Mas, na verdade, estou falando o que realmente penso. E, caso estejamos diante de inúmeras pessoas que pensam somente nos lucros e NUNCA na sustentabilidade não posso dizer nada, a não ser questionar:

Onde você quer chegar pensando assim?


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4 respostas

4 06 2008
Danilo

Cara, to completamente de acordo com você.
Quem fala que não vale à pena investir em algo que “apenas” agrega valor à marca não sabe nada de comunicação ou publicidade. Aliás, acho que pesquisar mais a fundo nem adianta pra uma pessoa dessas… tem é que sentar a bunda na cadeira e voltar a estudar direito na faculdade. Porque se passou os anos da graduação se achando o bonzão por fazer layouts bonitos e ficar o resto do tempo no boteco e pedindo pros outros assinarem a lista, nisso é que deu.

5 06 2008
Ana

Eu realmente não consigo acreditar que ainda exista alguém que pense ou até mesmo questione a eficácia da sustentabilidade e da responsabilidade ambiental. E nem ao menos cogito a possibilidade de discussão deste fato, e me contento em dizer que se não fosse eficaz, não agregasse valor a marca e até mesmo não vendesse, essa não seria uma febre em meio as empresas, que nos dias de hoje se preocupam sim, e criam cada vez mas estratégias para melhor se posicionarem em um mercado seletivo, que cobra ações como estas.

5 06 2008
Cibele

Com certeza ações de sustentabilidade e responsabilidade ambiental fazem a diferença. E quanto mais pessoas pensarem assim melhor. É claro que nenhuma empresa grande, com um nome a zelar, irá cair na besteira de fazer propaganda enganosa. Hoje vemos várias marcas que apostam nessa “responsabilidade” e que em diversas ocasiões são lembradas por isso. A Natura, por exemplo, conquistou o Prêmio Ecodesign 2004 – Categoria
Produtos /Embalagens, pelas novas sacolas “ambientalmente corretas”. Isso chama atenção, e leva clientes a utilizarem os produtos. Pq de uma forma ou de outra vc sabe que parte do “investimento” que vc esta fazendo ao comprar um produto é destinado a alguma ação de sustentabilidade. É bom pra eles, pra vc e pro Yuri. ;)

6 06 2008
Paty

Parabéns pela reflexão Tiago!
Tentei evitar começar esse texto dizendo o que as outras pessoas (acima) já disseram, mas não há o que fazer. É ridículo imaginar que existem pessoas que ainda não valorizam essas ferramentas de “apenas” agregar valor. Dá medo de pensar como seria se esse “cara” fosse um grande Líder mundial. Imagine esse cara na Casa Branca… nossa… o que seria de nós não dá nem pra mensurar. Como pessoas dedicadas à comunicação temos o dever de não só divulgar mas também de perpetuar esse conceito entre o maior número de pessoas/empresas que for possível. Cada um lnaça sua semente, eu daqui e vocês todos daí, mais pra frente se Deus quiser (porque torcida nunca é de mais) contemplaremos as conseqüências das nossas atitudes.

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