Vi no ADivertido (um blog de comunicação muito respeitado, que muito admiro, visito diariamente e tenho como fonte de pesquisa) um post que me fez pensar muito sobre o futuro da comunicação no nosso país.
Neste post, questionava-se a eficiência de se promover ações de sustentabilidade e foi proposto o seguinte quastionamento: “sustentabilidade e responsabilidade ambiental vendem? Ou só agregam valor a marca? Vale a pena investir nisso?“
Agradeço ao blog ADivertido pelo levantamento de uma questão tão relevante à comunicação e à sociedade contemporânea. Abaixo está o meu posicionamento:
Primeiro, devo perguntar: O objetivo de agir de forma sustentável e responsável é APENAS vender? Porque, se for, é melhor que nem se adote posturas como esta. Isso, porque estaria sendo feita uma publicidade enganosa, na qual se mostra a preocupação com o futuro da sociedade quando, na verdade, isso não ocorre. E só para lembrar, não sei se é do interesse de alguém (deveria ser), mas propaganda enganosa é crime e está previsto, inclusive, no código de ética da categoria.
Mas, mesmo que o objetivo seja apenas vender, respondo: FAZ VENDER SIM! (não entrarei em detalhes, mas basta pesquisar um pouco mais a fundo para chegar a esta conclusão, sugiro que leiam este post que esclarece algumas coisas sobre o assunto.) E, complemetando e respondendo a segunda pergunta, agregar valor à marca faz vender.
Deve-se compreender que as ações de sustentabilidade “vendem” (principalmente a longo prazo) porque as pessoas (consumidores) estão preocupadas com o futuro da sociedade e querem chegar a algum lugar, onde não se pensem no lucro tão somente. Assim, investem em instituições preocupadas com o futuro.
Não quero que pensem que seja algo irreal dizer que ações responsáveis tem outros objetivos além dos lucros. Pode até ser que a grande maioria dos executivos e muitos comunicadores não estejam nem um pouco preocupados com o futuro da sociedade. Mas o que quero deixar bem claro é que eu não penso assim. E, mais, imagino que, além do compromisso com o lucro e com as empresas, os profissionais devem ter compromisso com a sociedade, sobretudo os que atuam no setor de comunicação. E não sou só eu que penso assim. Li na revista DOM (edição de Março a Junho de 2007), da Fundação Dom Cabral, o depoimento do Fábio Barbosa, presidente do Banco Real ABN Amro, no qual ele diz: “Também considero que a responsabilidade do executivo vai além das fronteiras da empresa, incluindo seu papel na família e na comunidade. Acredito que não vamos conseguir ter “better managers” se não tivermos “better men”, incluindo aí as mulheres.”
Podem dizer que é jogada de marketing, mas prefiro acreditar que não.
Tenho clara consciência de que além do objetivo de vender, tem-se a intenção de contribuir com a construção de um futuro melhor. Se não tem, deveria ter! Sei que é possível visar os lucros e agir de forma sustentável. E posso citar outra pessoa, esta bem sucedida no meio da comunicação e do marketing, que pensa assim: é a Ana Cláudia Marques, consultura de comunicação e marketing e autora do livro “Propaganda Responsável: É o que todo anunciante deve fazer”.
Estou fazendo este post para que pensemos na forma como a comunicação é feita e vista, inclusive por nós comunicadores. Será que o objetivo é APENAS vender? Acredito que devemos rever os nossos conceitos e entender que a comunicação pode mudar muita coisa errada, e se não for possível mudar, podemos, pelo menos, não dar continuidade a ações que desrespeitam a sociedade.
A comunicação deve ir além do lucro. Deve-se compreender o real papel desta ferramenta, além de perceber o compromisso que se deve ter com a sociedade.
Pode parecer que o meu posicionamento seja um pouco inocente e talvez utópico.
Mas, na verdade, estou falando o que realmente penso. E, caso estejamos diante de inúmeras pessoas que pensam somente nos lucros e NUNCA na sustentabilidade não posso dizer nada, a não ser questionar:
Onde você quer chegar pensando assim?