Agência de publicidade sem publicitários

18 06 2008

Logo depois que escrevi o último post Não pense como um publicitário (o método antropólogico) encontrei esta notícia, entitulada “Agência troca publicitários por DJs e antropólogos” no site AdNews.

Esta notícia, que na verdade é de setembro de 2007, apresenta a agência Naked, fundada por três pessoas que não são publicitários e composta por um grupo de funcionários bem versáteis, alguns são DJs, outros jornalistas, outros antropólogos e tem até um psicólogo criminal, além de alguns publicitários. A agência atende atualmente mais de 100 clientes com destaque para gigantes como Coca-Cola, Nike, Sony e Nokia e conta com escritórios espalhados por Europa, EUA e Ásia. A empresa possui mais de 170 funcionários, grande parte não é publicitário e a grande maioria não atuou por outra agência.

A estratégia utilizada pela Naked é inovadora e está se mostrando eficaz, devido ao sucesso alcaçado em pouco mais de 7 anos de atuação.

Esta estratégia está revolucionando o modo de se pensar e se fazer a publicidade. E, relacionando-a ao post que escrevi sobre a forma como alguns publicitários pensam, percebe-se que, se há a dificuldade, por parte dos publicitários, de alterar a sua forma de pensar e desenvolver campanhas, não há grande dificuldade, por parte do mercado, de utilizar-se de outros recursos para desenvolver publicidades diferentes e mais eficientes, no que se refere ao impacto gerado sobre o público-alvo.

Se os publicitários não mudarem, o mercado muda o que é ser um publicitário.






A nova campanha do IPhone 3G

12 06 2008

Não se trata de um celular, ou de um simples produto a ser consumido. É um IPhone. Todo cuidado é pouco para transportar esta jóia tão preciosa. Isso é o que podemos perceber vendo a nova campanha deste produto, agora na versão 3G.

A campanha demonstra o posicionamento do IPhone no mercado, diferenciando-o dos “produtos concorrentes”.

Mas, deve-se ter consciência que empresas como a Apple (com competência, reconhecimento, respaldo do mercado e tecnologia de ponta)  não lançam produtos para concorrer com aqueles até então existentes. Lançam novos conceitos, em forma de produto, que alteram o mercado. Dessa forma, o conceito foi bem trabalhado na campanha que demonstra a “importância” de se ter um IPhone e que, por ser um produto deferenciado, deve ser protegido e transportado de forma diferenciada.





Uma pesquisa bem feita, o óbvio e o sucesso

12 06 2008

Você sabe porque a Seda lançou, há pouco tempo, um shampoo de Chocolate? Foi uma decisão óbvia e que teve grande sucesso. Mas antes da pesquisa, não era tão óbvio assim.

Segundo Philip Kotler e Gary Armstrong (In: Príncipios de Marketing), define-se por pesquisa de marketing o instrumento que liga o consumidor, o cliente e o público ao profissional de marketing através de informações. O autor complementa que essas informações são utilizadas, dentre outros objetivos, para identificar e definir as oportunidades e os problemas.

No caso da Seda foi isso que ocorreu.

Um estudo feito pela Unilever, ouviu 3,5 mil mulheres entre 18 e 35 anos, em 13 países, e descobriu que o chocolate apresenta-se como um prazer insubstituível, para elas. Entre as brasileiras, então, os números são surpreendentes: 84% das participantes apontam o chocolate como a principal fonte de prazer. E nesta lista o sexo aparece apenas em quinto. (saiba mais)

Mas, apesar das mulheres amarem tanto o chocolate, elas também não “podem” se descuidar da aparência e começar a comer isso todo dia, por que, assim, seria pior. Sofreriam muito caso olhassem no espelho e se vissem “gordas”.

Assim, ao perceber o prazer proporcionado pelo chocolate (que, segundo o blog Uma a Uma, tem até explicação científica), a Seda teve a brilhante idéia (óbvia depois da pesquisa) de investir em produtos que tenham cheiro e aparência de chocolate. Dessa forma, as mulheres podem se aproximar da sensação proporcionada pelo chocalate, mas sem o malefício de se “engordar” e ter a consciência pesada por isso.

A Seda não foi a única. Esta recente campanha para o desodorante AXE (marca também pertencente a Unilever) foi baseada na mesma pesquisa e teve grande sucesso. Veja o vídeo abaixo:





De chocolate a fórmula da paixão

9 06 2008

A W/Brasil foi capaz (como sempre), através desta campanha, de fazer entender que o ”Serenata de Amor” não é um chocolate e sim uma fórmula que inicia e consolida paixões. As campanhas deste bombom sempre reforçam a importância e a simbologia de se presentear o ser amado com um “Serenata de Amor”. Desta vez apresentou-se o produto como sendo o responsável pela proliferação do amor e a consolidação dos relacionamentos amorosos.

O produto poderia ser apresentado como mais um chocolate (veja este post), mas decidiu-se fazer diferente. O que a W/Brasil quis dizer foi que o “Serenata de Amor” pode ser responsável pelo sucesso do seu relacionamento. E dizer isso às vesperas do Dia dos Namorados tem grandes chances de gerar um feedback positivo, com o aumento do consumo.

A campanha estreou ontem (08/06) e pretende contribuir para o aumento das vendas durante o período que antecede o Dia dos Namorados (12/06).





Acertou em cheio!

5 06 2008

Ação criativa, em midia específica (direcionada) e no melhor momento. Não é fácil combinar todos esse elementos. Mas foi o que a agência CCZ Comunicação, de Curitiba, fez para a cerveja Eisenbahn.

“Quando dizemos cerveja forte, nós realmente queremos dizer isso.”

A agência escolheu um ambiente em que todo consumidor de cerveja frequenta, principalmente quando está consumindo este produto: banheiro de bar. E, de uma forma muito criativa, transmitiu-se o conceito e a característica básica da cerveja: ser forte.

Através desta ação, aproxima-se do público-alvo em um momento em que o consumo está ocorrendo. Deve-se observar que a campanha é capaz de surpreender, porque não se espera, ao ir até banheiro, ver algo assim. Além de que é possível que se gere grande repercussão entre os consumidores, tornando a campanha “assunto de buteco”. E, para uma cerveja, ser assunto de buteco é a melhor opção.





Fugir do comum faz bem

23 05 2008

Em muitas peças publicitárias para produtos comestíveis como o chocolate, por exemplo, opta-se pelo óbvio e pela banalidade. Na maioria das vezes, apresenta-se o produto de vários ângulos, tentando causar a sensação de desejo e impressionar pelo aspecto visual. Mostra-se o chocolate sendo produzido, pessoas degustando-o e, poucas vezes, tenta-se fazer algo diferente, criativo.

Esta campanha desenvolvida no Japão, para uma empresa de chocolates japoneses, seguiu um outro caminho. De uma forma muito criativa e sem apelar para o aspecto visual do produto, os publicitários conseguiram demonstrar, com genialidade, a inigualável sensação de se comer este chocolate.

A história é a de uma mulher que tenta bater o recorde de ficar mais tempo sem piscar. Ela faz tudo sem piscar e todos acompanham sua façanha torcendo para que ela consiga ser a recordista. Até que algo muito mais forte do que ela a impede de conseguir o que queria. Acompanhem:

Este tipo de campanha, com certeza, gera mais impacto no consumidor e tem maior repercussão. Foi uma idéia excelente, muito bem planejada e desenvolvida. Vendeu-se o conceito de forma espetacular.

Abaixo estão dois exemplos de campanhas de chocolate que, como disse acima, seguem o caminho da banalidade, do comum e do apelativo sem criatividade.

Comercial Garoto – Talento:

Comercial Lacta:





Simples e muito eficiente

23 05 2008

A agência UbachsWisbrun/JWT de Amsterdam. Criou um anúncio sensacional para a Bic. Duas peças em sequência, que foram veiculados nas páginas 3 e 5 de uma revista.

Com uma idéia simples e muito inteligente, foi possível vender dois produtos e demonstrar a abrangência da empresa – que atua em diferentes mercados.

Fonte: Adivertido





Criatividade e interatividade para transmitir o conceito

21 05 2008

Nesta campanha criada pela Euro para a Cerca (Centro de Referência Contra o Abuso Infantil), há a utilização de um elemento gráfico diferente, inovador e que segue a tendência da comunicação interativa. Para que a idéia seja transmitida é preciso que o receptor da mensagem interaja com a peça gráfica apagando a luz e lendo-a no escuro.

 

 

Utilizou-se uma impressão de tinta fluorescente para gerar maior impacto e promover a interação proposta. O texto da peça – “Apague a luz e ajude a acabar com o medo de escuro que a Aninha tem.” – instiga o leitor a interagir e compreender o conceito transmitido. Quando se apaga a luz, percebe-se a impressão em tinta fluorescente que denúncia a exploração sexual infantil.

 

 

Ao evidenciar um cenário condizente à realidade vivida pelas classes A e B, pretende-se demonstrar que casos de exploração infatil ocorrem, também, em famílias dessas classes sociais.

 

 

É uma campanha, ao meu ver, excelente. Bem planejada e produzida, capaz de gerar um grande impacto e alcançar o objetivo de conscientizar e alertar o público.

 

Fonte: Adivertido





É preciso saber ser ousado

21 05 2008

 

 

A campanha criada pela DM9DDB para a Cia Athletica não me agradou. É com certeza uma proposta ousada. Mas é preciso saber até que ponto a ousadia contribui para atingir o objetivo. Aproveitou-se de um acontecimento na cidade de São Paulo, que foi a proibição de veiculação de campanhas em mídia-exterior, para relacionar este assunto à obesidade e ridicularizar classe obesa.

Utilizar-se do humor pode ser uma boa tática, mas ridicularizar pessoas de um determinado perfil pode gerar uma imagem negativa da empresa. Ainda mais, no caso desta campanha. A Cia Athletica, enquanto academia, deveria estimular a prática do exercício físico, e, no caso da obesidade, por exemplo, não apenas pela estética, mas principalmente pela saúde. Refiro-me, ainda, ao post anterior sobre sustentabilidade, no qual cito e comento o livro “Propaganda Responsável: É o que todo anunciante deve fazer”. A autora Ana Cláudia Marques Govatto se refere a publicidade não apenas como um instrumento de venda, mas como uma forma de informar e conscientizar a população. Primeiro, porque a publicidade pode ser capaz de contribuir para uma melhor formação de todos os cidadãos. E, segundo, por que demonstrar-se preocupado em informar e conscientizar pode melhorar a imagem de qualquer marca.

Não apenas pela falta de humor, pela situação forçada e pela apelação contida nesta campanha. Mas também pela falta de preocupação em trabalhar um público em potencial. Isso, porque se existe uma parcela da sociedade que necessita comparecer a academia, esta é a parcela obesa. Tentar convencê-los ridicularizando-os pode não ser a melhor forma.

Discordo dos argumentos que li no blog 30 segundos. O autor do texto defende a ousadia na publicidade e argumenta que a ridicularização da parcela obesa da sociedade é algo corriqueiro e bem aceito quando feita em programas humorísticos. E complementa que a ação foi bem sucedida por ter gerado polêmica e estar sendo discutida já há algumas semanas, principalmente no meio publicitário.

Concordo que a ousadia é sempre bem vinda, mas deve-se saber que publicidade e comunicação não é brincadeira e muito menos programa humorístico. Deve-se pensar que informar é importante, conscientizar é importante e, principalmente, gerar nos consumidores impacto necessário para que consumam determinado serviço. E, ainda, deve-se medir o impacto da campanha pela reação do público-alvo e pelo aumento da demanda, e não pelo impacto gerado e pela polêmica criada no meio publicitário.